Unidade 7 – Evolução biológica

7.2. Mecanismos de evolução

Existem duas grandes correntes para explicar a origem e diversidade das espécies, o FIXISMO e EVOLUCIONISMO Basicamente estas corrente dizem que os seres vivos atuais mantiveram as mesmas caraterísticas desde que apareceram, são imutáveis - fixismo, e os seres vivos modificaram-se ao longo do tempo - evolucionismo.

 

Todo o conhecimento, é como sabem, influenciado pela época. É marcado pelo desenvolvimento científico e tecnológico que por sua vez, está condicionado pelos contextos religiosos, políticos e socioeconómicos. Numa determinada época uma teoria fará mais sentido que outra, neste caso da origem da diversidade das espécies, a corrente evolucionista tem mais aceitação.

Se não tivermos em linha de conta alguns conhecimentos da ciência e se partirmos apenas da nossa observação das espécies à escala de poucas gerações, não nos apercebemos que existe variação entre os seres vivos dessas gerações. Na verdade, um periquito que tivemos em criança, será idêntico ao periquito que teremos para nos fazer companhia na nossa velhice :-), ou seja, as espécies a esta escala de observação, parecem imutáveis.

Foi precisamente esta ideia que as espécies permanecem imutáveis que os antigos naturistas e grandes filósofos (Platão e Aristóteles), grandes influenciadores do pensamento da cultura ocidental durante muitos séculos, defenderam. Embora tenha havido outros filósofos da antiga Grécia que defendessem que as espécies sofreriam alterações ao longo do tempo, o pensamento de Platão e Aristóteles, vingaram.

Platão acreditava em dois mundos, o perfeito e o imperfeito. No mundo perfeito, um mundo de ideias, real e eterno em que todos os seres vivos estavam adaptados de forma ideal ao meio ambiente, sem lugar para mudanças (FIXISMO) . No mundo imperfeito, era um mundo ilusório, percepcionado pelos nossos sentidos.

 A Escola de Athenas. Aristóteles e Platão ao centro - fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=582

GERAÇÃO ESPONTÂNEA

Aristóteles, discípulo de Platão desenvolveu a ideia que os seres vivos podiam-se organizar numa escala hierárquica do ser mais simples para o mais complexo e em que o Homem estava no topo dessa hierarquia. Era uma escala em que cada ser ocupava um lugar fixo. Acreditava que os seres vivos eram criados a partir da matéria inanimada e que por um princípio ativo (uma espécie de força), se transformava em matéria viva - GERAÇÃO ESPONTÂNEA ou ABIOGÉNESE

CRIACIONISMO

http://odetriunfante.wordpress.com/2009/12/07/o-criacionismo-deve-ser-ensinado-nas-escolas-absolutamente/

Os seres vivos foram criados por ação divina, já descrito no Livro dos Génesis, Bíblia. Como obra divina os seres são perfeitos e estáveis ao longo do tempo. as imperfeições são explicadas pela imperfeição e corrupção do mundo. Está relacionado com aspectos religiosos e não pode ser tratado pela ciência, tem a ver com as crenças e fé das pessoas.

CATATROFISMO

George Couvier, cientista que já estudamos no 10ºano, propôs a Teoria do Catatrofismo, século XVIII. Se bem te lembras esta teoria diz que determinados fenómenos catastróficos, como sejam os dilúvios e glaciações, teriam provocado a morte dos seres vivos dos locais afetados e haveria de haver um novo povoamento de seres vindo de locais próximos das zonas afetadas. Cuvier, que fez estudos paleontológicos, justificava que os fósseis das várias camadas que se encontravam extintas, correspondiam a criações anteriores ( é uma teoria fixista). Cuvier foi o fundador da anatomia comparada, biólogo e paleontólogo muito importante da época.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Charles_Lyell_by_David_Octavius

Mas as ideias de Couvier vieram a ser contestadas por Charles Lýell (geólogo inglês do século XVIII - XIX), um acérrimo defensor do uniformitarismo de James Hutton (pai da geologia moderna) e que disse que "o presente é a chave do passado"- princípio do atualismo.

Charles Lýell  disse que os fenómenos atuais existiram no passado, a erosão nas rochas com fósseis, pela água e vento, seria o fenómeno responsável pela ausência de fósseis em alguns estratos, um fenómeno lento e gradual, como todos os processos naturais.

Concluiu que :

-As leis naturais são constantes no espaço e no tempo;

-os acontecimentos do passado devem ser explicados a partir da observação dos atuais, uma vez que as causas desses acontecimentos são as mesmas na atualidade;

-a maioria das alterações geológicas são lentas e graduais.

Embora Lyell tivesse tido alguma dificuldade em aceitar a transformação das espécies, a sua teoria, relativa à geologia,  tornou inevitável o surgimento de teoria de evolução biológica.

Estas ideias da geologia mostraram ser de fundamental importância para as bases do evolucionismo.

No final do século XVIII as ideias FIXISTAS e o Criacionismo começaram a ser postas em causa.

 

Resumo das principais correntes do FIXISMO:

 

EVOLUCIONISMO

Embora as ideias Fixistas no século XIX sejam ainda muito fortes, o evolucionismo começa a ganhar força quando se admite que os seres vivos se alteram de forma lenta e gradual , ao longos dos tempos, originando novas espécies, tal como os restantes fenómenos naturais, do âmbito da geologia.

 

No século XVIII, Carl Von Linné (conhecido por Lineu) dedicou-se à classificação dos seres vivos, considerado por muitos, o pai da Sistemática. Embora fosse um criacionista, os seus estudos e classificações contribuíram para o desenvolvimento das ideias evolucionistas. O estudo incidia num estudo pormenorizado da morfologia dos seres vivos o que permitia o conhecimento de diferenças e semelhanças entre os seres vivos, incluindo relações de parentesco o que levava para Lineu e outros naturistas da época uma possível origem comum.

 

As ideias de George Louis de Leclerc, conhecido pelo Conde de Buffon (1707 a 1788), contribuíram para a implantação do evolucionismo. Desenvolveu um vasto estudo na analise e descrição da fauna e flora. Era um transformista, pois considerava que as espécies derivavam umas das outras por degeneração num processo lento e progressivo. Admitia que determinadas condições ambientais como o clima e alimento poderiam ser a causa dessa degeneração.

 

Maupertius, um naturista francês da mesma época (1698 a 1759) e transformista considerava que os seres vivos resultavam de uma seleção do ambiente. Estas ideias não tiveram aceitação na época.

 

 

 

 

imagens de http://pt.wikipedia.org/

 

Muitas áreas científicas contribuíram para a fundamentação e consolidação do conceito de evolução, tais como: anatomia comparada, paleontologia, biogeografia, citologia, embriologia, etc.

Quais foram os argumentos que tiveram na base das teorias evolucionistas?

 

 

Argumentos paleontológicos

Na paleontologia constata-se que existem fósseis que correspondem a seres já extintos o que contraria a imutabilidade dos seres vivos.
Na observação de sequências de fósseis que ainda hoje têm o seu representante na biodiversidade atual, verificam-se modificações sofridas ao longo do tempo, evidenciando um processo evolutivo em determinados grupos, conseguindo-se, desta forma, construir árvores filogenéticas.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Horseevolution.png

exemplo de uma árvore filogenética do cavalo

Podem-se observar outro tipo de fósseis intermédios, transição ou sintéticos que possuem características que correspondem a dois grupos distintos e que nos permitem perceber que deve ter havido uma transição de um grupo para outro, o que significa que poderão ter a mesma origem.


http://www.cientic.com/

 

Argumentos anatómicos

A Anatomia Comparada estuda as semelhanças e diferenças morfológicas dos seres vivos. Tem fornecido dados que poiam o evolucionismo através do conhecimento de órgãos análogos, homólogos e vestigiais dos seres vivos.

Órgãos análogos - órgãos que têm a sua origem, a estrutura, e posição relativa diferente mas que desempenham a mesma função - sofreram evolução convergente.

exemplos: barbatanas da baleia e do tubarão. O facto de terem a mesma função não significa que tenham parentesco evolutivo.

Órgãos homólogos- órgãos que têm a mesma origem, a estrutura e posição idêntica no ser vivo mas que podem desempenhar funções diferentes - sofreram evolução divergente. Um órgão ancestral comum divergiu devido a pressões ambientais, ou seja, o órgão ancestral sofreu uma adaptação ou evolução adaptativa.

Cuvier, à luz do fixionismo, teve grande dificuldade em explicar estes órgãos homólogos, ao contrário de Darwin que a teoria evolucionista explica satisfatoriamente a existência dos mesmos.

As estruturas homólogas, permitem construir árvores filogenéticas que traduzem a evolução dessas estruturas em diferentes seres vivos.

exemplos:  braço humano, asas do morcego, nadadeiras anteriores do golfinho e patas anteriores do cavalo.

http://www.cientic.com/

 

Órgãos vestigiais - órgãos que resultam do atrofiamento de um órgão primitivamente desenvolvido. A teoria evolucionista diz que estes órgãos em ancestrais comuns já foram úteis

Exemplos: são as asas vestigiais de aves que não voam como avestruzes, o apêndice vermiforme humano, o dente do siso humano, o fémur e a cintura pélvica das baleias, as asas traseiras das moscas...

Argumentos bioquímicos

O avanço da bioquímica veio a dar um grane impulso à argumentação evolucionista. Estes argumentos reforçam a ideia da origem comum dos seres vivos dos diferentes reinos e baseiam-se em: Todos os organismos são constituídos, basicamente, pelo mesmo tipo de biomoléculas (ácidos nucleicos, proteínas, glúcidos e lípidos); O facto do DNA e RNA serem a base da síntese proteica, a universalidade do ATP como molécula de energia e a existência de vias metabólicas, para além da síntese proteica, comuns aos seres vivos, como o funcionamento das enzimas e processos respiratórios.

Embora todos os seres vivos apresentem as mesmas biomoléculas, os estudos bioquímicos, dizem-nos que quanto maior a proximidade de grau de parentesco menores são as diferenças existentes na sequência de a.a. numa proteína, o mesmo sucede à sequência de nucleótidos da molécula de DNA.
 

Argumentos biogeográficos


Defendem que as espécies tendem a ser mais semelhantes quanto maior é a sua proximidade geográfica. Quanto mais isoladas, maiores as diferenças entre si.


http://www.cientic.com/

 

Argumentos citológicos

A célula é a unidade estrutural e funcional de todos os seres vivos e com processos metabólicos semelhantes entre si, o que indica uma origem comum. Parte-se da teoria celular que diz que todos os seres vivos são formados por células.

 

Argumentos embriológicos

O estudo comparado de embriões releva semelhanças nas primeiras etapas do seu desenvolvimento e estruturas comuns em embriões de diferentes grupos.

http://www.cientic.com/

Existem muitos outros argumentos que apoiam o evolucionismo, como os da domesticação e seleção artificial, classificação taxonómica, etc.

SABER MAIS

sobre os Argumentos:

http://simbiotica.org/argumentosevolucao.htm

http://ricardomontes.weebly.com/uploads/3/0/9/4/3094204/argumentos_a_favor_do_evolucionismo.pdf

http://prezi.com/wskgy2-ot8dy/argumentos-anatomicos/?utm_source=website&utm_medium=prezi_landing_related_solr&utm_campaign=prezi_landing_related_author

...........................................................................................................................

- Pasteur e a geração espontânea: uma história equivocada de Lilian Al-Chueyr Pereira Martins

http://www.abfhib.org/FHB/FHB-04/FHB-v04-03-Lilian-Martins.pdf

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=82259 Ainda hoje há verdeiros acérrimos defensores do criacionismo